Se as árvores competem pela luz, como é que as mais pequenas sobrevivem nas florestas?
Em massas florestais mais antigas, não apenas a altura desses exemplares vegetais é influenciada, mas também a eficiência no uso da luz. Um novo estudo japonês explica por que algumas árvores pequenas podem viver à sombra de espécies maiores.
O tamanho importa, pelo menos na floresta. As árvores mais altas têm acesso a uma maior quantidade de luz solar, portanto a sombra torna-se um ambiente inóspito para a vegetação menor. No entanto, um novo estudo, publicado no Journal of Ecology, revela que em grupos mais antigos podem existir espécies mais tolerantes à falta de luz. Pesquisadores da Universidade de Kyoto (Japão) assumiram o desafio de compreender como árvores de diferentes alturas coexistem em florestas maduras. Para fazer isso, eles tiveram que quantificar a competição pela luz entre os espécimes, embora as suas estruturas complexas tornassem a sua avaliação difícil. Segundo o primeiro autor do estudo e pesquisador da instituição japonesa, Yusuke Onoda, a competição por luz entre as árvores costuma ser descrita como uma corrida armamentista evolutiva, mas em florestas maduras coexistem com sucesso árvores de tamanhos muito diferentes, ressalta. Maior eficiência no uso da luzA equipe optou por analisar a taxa de crescimento relativo das árvores. –a velocidade com que crescem em relação ao seu tamanho– e dividiu-o em dois fatores importantes: a eficiência da interceptação luminosa e a sua capacidade de utilização. Para testar a sua experiência, os especialistas mapearam as formas das copas e os perfis de luz 3D de cada árvore em 12 parcelas florestais de várias idades, totalizando 2.000 árvores individuais de 50 espécies diferentes. Os resultados mostraram como a competição pela luz impulsiona quantitativamente a sucessão florestal. Nas florestas mais jovens, as árvores mais altas têm maior vantagem na captação de luz, forçando uma rápida estratificação por altura. No entanto, em povoamentos mais antigos, as plantas pequenas são tolerantes à sombra porque o seu consumo de luz é mais eficiente, permitindo-lhes prosperar. Este estudo revela os mecanismos ocultos da sucessão florestal e oferece novos insights sobre como as árvores lidam com a competição pela luz. Além disso, estabelecem um novo princípio que explica como as florestas mudam ao longo do tempo. Agora, os investigadores estão a aplicar esta abordagem a outros locais florestais de diferentes idades e zonas climáticas.











