A segunda edição da Feira da Madeira será realizada nos dias 11 e 12 de setembro em Esquel, com agenda focada na prevenção de incêndios, construção em madeira, utilização de sistemas construtivos, aquecimento a biomassa e fortalecimento da cadeia florestal-industrial.
A Feira da Madeira (FEDEMAD) nasceu como uma iniciativa que visa fortalecer a coordenação entre os setores público e privado ligados à cadeia florestal-industrial. A sua primeira edição, realizada em 2024 na cidade de Esquel, reuniu cerca de 300 pessoas e mais de 20 empresas locais e nacionais, consolidando-se como um espaço de encontro de produtores, profissionais, instituições de ensino, organismos públicos e empresas do setor. A edição 2026 terá como sede as instalações da Sociedade Rural Esquel e contará com conferências especializadas, espaços de intercâmbio técnico, formação e uma ampla amostra de expositores. A organização está a cargo da Comissão Industrial Florestal da Agência de Desenvolvimento Regional (ADRE) de Esquel e da Região Andina. Fazem parte deste espaço organizações científicas e técnicas como INTA, CIEFAP e a Universidade Nacional da Patagônia San Juan Bosco, instituições educacionais como ISET 815, Esc Politecnica 701, CFP 655 e CFP 660, Município de Esquel, Município de Trevelin, organizações provinciais e nacionais, associações profissionais e representantes do setor privado. Treinamento e agregação de valor Esquel e a região têm uma história importante na formação e educação ligada à construção em madeira e ao setor florestal. Entre as propostas educativas destacam-se o curso de Construção em Madeira do Instituto Superior de Educação Técnica (ISET nº 815), os cursos de carpintaria e construção ministrados pelos centros de formação profissional de Esquel e Trevelin, e o curso de Engenharia Florestal ministrado na sede montanhosa da Universidade Nacional da Patagônia San Juan Bosco. Gustavo Salvador, referência do INTA Esquel e membro da organização, anunciou que um dos principais eixos temáticos será a prevenção de incêndios na interface urbano-floresta e a construção em madeira. A agenda incluirá duas conferências virtuais internacionais, uma do Serviço Florestal dos Estados Unidos e outra da Fundação Pau Costa da Catalunha, e um workshop específico com referências da região. Haverá também um bloco dedicado aos sistemas construtivos em madeira, onde especialistas do CONICET apresentarão experiências ligadas ao uso do Pinheiro Ponderosa, junto com construtores de diversas regiões do país que compartilharão suas experiências, casos de aplicação e modelo de negócio. Outro dos temas em destaque será o aquecimento eficiente e o aproveitamento energético da biomassa, com exposições sobre fogões de alto desempenho, sistemas de inércia térmica e utilização de pellets em diferentes tipos de edifícios. Além disso, o programa inclui uma mesa redonda com autoridades nacionais e provinciais e representantes de câmaras empresariais onde serão discutidas as oportunidades e desafios do sector, demonstrações ao vivo e um concurso de produtos de madeira que visa tornar visível o potencial inovador do sector. É um espaço de visibilidade do setor, onde podemos nos articular, gerar novos negócios, nos capacitar, compartilhar experiências e inovações, destacou Salvador.Gestão sustentável das florestas Um dos objetivos da FEDEMAD é promover o uso sustentável das florestas nativas e estabelecidas, valorizando a gestão florestal como ferramenta de prevenção de incêndios e de desenvolvimento económico regional. Nesse sentido, Salvador destacou que em Chubut existem cerca de 35 mil hectares florestados que requerem tarefas de manejo como podas e desbastes. Essas atividades são importantes para reduzir o risco de incêndio e também gerar matéria que pode ser utilizada como bioenergia e produtos para o setor da construção. Em Chubut, cerca de 80% da madeira para construção vem do Nordeste argentino, por isso temos a possibilidade de trabalhar num mercado local com muitas possibilidades de expansão. E acrescentou ainda: Embora a madeira seja um material tradicional que tem sido utilizado ao longo da história, há atualmente um ressurgimento da construção com esse material em todo o mundo devido ao seu elevado potencial de redução de gases com efeito de estufa e à sua baixa pegada de carbono. A construção em madeira evoluiu extraordinariamente nas últimas décadas. Hoje temos madeiras estruturais classificadas, produtos de engenharia como madeira laminada colada e painéis laminados cruzados (CLT), além de padrões de cálculo e projeto que permitem a construção de edifícios cada vez mais altos e seguros. A madeira não representa um regresso ao passado; Representa uma forma de construir o futuro. É um material renovável, armazena carbono, melhora a eficiência energética das residências e gera desenvolvimento local. A Patagônia possui recursos, conhecimentos técnicos e capacidades para se tornar uma referência nacional em construção sustentável. O desafio agora é trabalhar de forma articulada para transformar esse potencial em mais emprego, mais inovação e um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, concluiu o especialista do INTA Esquel.











