Árvores que curam: a primeira floresta terapêutica da Península Ibérica está em Portugal

Árvores que curam: a primeira floresta terapêutica da Península Ibérica está em Portugal

2026-08-10
A floresta nacional do Bussaco tornou-se a primeira floresta terapêutica certificada na Península Ibérica e passa a fazer parte de um grupo exclusivo de quatro em todo o mundo. Existem apenas quatro em todo o mundo e Portugal tem um deles. A Mata Nacional do Bussaco recebeu oficialmente a certificação Floresta Terapêutica. É a primeira na Península Ibérica, juntando-se à Beneddiktinerstift, na Áustria, e a Lahnstein e Bad Nauheim, ambas na Alemanha.
Depois de anos em fase de implementação, a certificação, concedida no dia 17 de julho pelo Healing Forest – Gabinete Internacional de Certificação, vem reconhecer as características da floresta portuguesa, localizada na freguesia do Luso, concelho da Mealhada. Esta certificação, que nos coloca no grupo das quatro florestas terapêuticas do mundo e como a primeira na Península Ibérica, confere-nos um estatuto global e traz consigo uma grande responsabilidade, sublinhou o presidente da Fundação Mata do Bussaco, Gonçalo Breda Marques, citado pela agência Lusa. A Mata do Bussaco tem 105 hectares de terreno e, segundo a Fundação Mata do Bussaco, possui uma das melhores coleções dendrológicas da Europa, com cerca de 250 espécies de árvores e arbustos. O que faz de uma floresta um lugar terapêutico? Segundo o Healing Forest – International Certification Office, as florestas terapêuticas são áreas florestais destinadas ao uso terapêutico em indicações específicas. Existem terapeutas qualificados para acompanhar tratamentos ou programas específicos nesses locais, o que pode ser benéfico no tratamento de doenças incapacitantes, influenciando positivamente as terapias convencionais. Para que estas florestas tenham estas capacidades, necessitam de cumprir uma série de critérios, como possuir estruturas naturais que proporcionem atenuação de ruído e proteção visual e contra o vento, percursos com diferentes níveis de exigência e graus de dificuldade e áreas destinadas a aplicações terapêuticas, bem como exercícios de relaxamento. O processo de certificação desenvolve-se em diferentes fases. A primeira consiste na apresentação de informações e documentação básica do local, após o que o procedimento progride para uma inspeção técnica no terreno realizada por uma equipa do gabinete de certificação, que avalia o seu potencial para uso terapêutico. Passadas as duas primeiras etapas, a avaliação é realizada com base nos critérios definidos e nas características da floresta analisada, até a concessão do certificado, que tem validade limitada. No caso da Mata do Bussaco, a certificação é válida até 2031. Segundo a mesma entidade, estas práticas ao ar livre podem proporcionar vários benefícios cientificamente comprovados, incluindo melhoria das capacidades cognitivas, redução do stress, ansiedade e depressão, redução da pressão arterial, fortalecimento do sistema imunitário e melhoria da qualidade do sono. As pesquisas, realizadas na última década, vêm principalmente de países asiáticos. Banhos de floresta A ideia de que uma experiência imersiva em uma área florestal pode ser benéfica não é nova. O chamado “banho de floresta” é a tradução direta do japonês shinrin-yoku e foi criado no Japão em 1982 como parte de um programa nacional de saúde destinado a reduzir os níveis de estresse da população japonesa. O conceito aproxima-se de uma prática de bem-estar ou mindfulness, orientada por acompanhantes, sem necessidade de resposta a uma indicação médica específica, e funciona como uma prática de saúde semelhante às já recomendadas, como a necessidade de uma alimentação saudável ou a prática de exercício físico. Já a terapia florestal apresenta-se como uma prática com maior formalização clínica, liderada por terapeutas florestais credenciados, por vezes associada a indicações médico-terapêuticas específicas, como doenças cardiovasculares, respiratórias, psicossomáticas, ortopédicas ou neurológicas.

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