Cientistas brasileiros desenvolveram um método capaz de identificar a impressão digital química da madeira da floresta amazônica para revelar o local de origem, ferramenta que pode ajudar a Polícia Federal a detectar carregamentos extraídos ilegalmente e reforçar o combate ao desmatamento, divulgou a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
O estudo da FAPESP, realizado por uma equipe do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA-USP), busca criar um mapa da distribuição dos isótopos estáveis ??presentes nas árvores amazônicas para que especialistas possam comparar essas informações com a madeira apreendida em operações contra o comércio ilegal. O Brasil estabeleceu como meta a cessação do desmatamento na floresta amazônica, no âmbito de iniciativas para desenvolver a bioeconomia e formas de exploração sustentável de recursos. natural, em comparação com a exploração madeireira clandestina como uma das principais causas do desmatamento na Amazônia. Segundo o estudo, embora as autoridades brasileiras já utilizem a identificação anatômica da madeira, mapas de distribuição de espécies e o Documento de Origem Florestal (DOF), esses mecanismos nem sempre são suficientes para verificar se um carregamento provém de uma exploração autorizada. A nova metodologia baseia-se na análise de isótopos estáveis, variantes naturais de elementos químicos como oxigênio, carbono, nitrogênio e, numa etapa posterior, estrôncio. A proporção desses elementos muda de uma região para outra da Amazônia, formando uma impressão digital química que permite identificar a origem geográfica da madeira. A equipe coletou amostras de 800 árvores em 63 localidades da Amazônia e planeja ampliar o banco de dados para melhorar a precisão do sistema. Os cientistas também estudam combinar análises isotópicas com mapas de concentração de elementos químicos presentes na madeira com o objetivo de oferecer às autoridades uma ferramenta mais eficaz no combate à extração ilegal de madeira e ao desmatamento. Queremos fornecer à Polícia Federal um modelo isotópico para que ela verifique se a origem daquela madeira realmente corresponde à indicada no Documento de Origem Florestal, explicou o coordenador do estudo, Luiz Antonio Martinelli, professor da USP, citado pela FAPESP.








