Brasil registrou o menor número de desmatamento da Mata Atlântica em 40 anos

Brasil registrou o menor número de desmatamento da Mata Atlântica em 40 anos

2026-06-30
Estudos revelam que a derrubada de árvores nas florestas do Sul do país atingiu o menor número em quatro décadas
Nas últimas três décadas, a Mata Atlântica do Brasil sofreu um processo contínuo de desmatamento que transformou significativamente sua paisagem e estrutura ecológica. Embora a cobertura florestal nativa tenha permanecido relativamente constante, cerca de 28 a 30 milhões de hectares entre 1989 e 2018, este aparente equilíbrio esconde uma forte dinâmica interna: a perda das árvores mais antigas e com maior biodiversidade tem sido compensada em área superficial pelo aumento de exemplares jovens, que não oferecem os mesmos serviços ambientais nem abrigam a mesma riqueza biológica. Entre 2000 e 2015, a perda anual de florestas antigas variou entre 220 mil e 80 mil hectares, informou um estudo da Science Advances. Em 2015 foi detectado o mínimo desta série, com 76,2 mil hectares perdidos naquele ano. Contudo, a substituição por florestas mais jovens resultou num rejuvenescimento progressivo da cobertura florestal. Atualmente, cerca de 11% da Mata Atlântica é composta por vegetação jovem e um terço tem menos de 10 anos. O avanço da agricultura e das plantações comerciais tem sido o principal motor do desmatamento, com o cultivo de soja, cana-de-açúcar e café em rápida expansão. Nos últimos 40 anos, a Mata Atlântica perdeu 2,4 milhões de hectares de vegetação nativa segundo dados da Agência Brasil, o que equivale a uma redução de 8,1% em relação à área registrada em 1985. Atualmente, a região conserva apenas 31% de sua vegetação original, e aproximadamente metade do desmatamento recente afeta áreas com mais de 40 anos, fundamentais para a biodiversidade e o armazenamento de carbono. O menor desmatamento no Brasil em 40 anosA Mata Atlântica do Brasil registrou uma queda histórica nos níveis de desmatamento, atingindo em 2025 o menor valor em quatro décadas: 8.658 hectares desmatados, segundo relatório da SOS Mata Atlântica. É a primeira vez desde 1985 que a perda de cobertura florestal cai abaixo dos 10.000 hectares anualmente. Esse bioma, o mais populoso do país e que abriga 80% da população brasileira, inclui grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Os resultados positivos foram recebidos com otimismo pelas organizações ambientalistas, que consideram possível atingir o desmatamento zero nos próximos anos se a tendência continuar. No entanto, permanecem riscos negativos significativos. As principais ameaças incluem a aprovação no Congresso do chamado “projeto de lei da devastação”, que enfraquece a legislação ambiental, e a possibilidade de uma mudança política em direção a um governo menos comprometido com a proteção ambiental nas eleições presidenciais de outubro. A diminuição de 40% na desflorestação entre 2024 e 2025 foi confirmada por dois conjuntos de dados diferentes, ambos preparados em colaboração com organizações não governamentais. No entanto, a ONG alerta que o desmatamento continua elevado e destaca que cada fragmento de floresta perdido tem um impacto considerável neste bioma, que mantém apenas 24% da sua cobertura florestal original. Um elemento-chave da tendência decrescente tem sido a pressão pública, a mobilização social e a aplicação de políticas e medidas de controlo ambientais. Apesar deste cenário, a nova lei ambiental, que elimina a necessidade de aprovação federal prévia para autorizar o desmatamento e transfere esse poder para as autoridades locais, representa um retrocesso sem precedentes desde a década de 1980. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha tentado vetar partes da lei, o Congresso anulou esses vetos, deixando a constitucionalidade da norma nas mãos do Supremo Tribunal Federal. Iniciativas de restauração ecológica O Brasil lançou um ambicioso sistema de restauração florestal em grande escala na Mata Atlântica, com o objetivo de recuperar 15 mil hectares de terras degradadas no norte do estado do Rio de Janeiro, informou a TV Brics. Esta iniciativa, considerada um marco na sustentabilidade ambiental e na ação climática, integra a recuperação ecológica com o desenvolvimento económico regional. A restauração concentra-se em áreas protegidas e segue regulamentações ambientais nacionais que visam preservar a biodiversidade. O programa, apoiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), faz parte da Estratégia Florestal, que combina ferramentas financeiras e técnicas para promover a regeneração ecológica e a bioeconomia. Entre 2023 e 2025, esta iniciativa mobilizou cerca de 1,4 mil milhões de dólares, com potencial para plantar 280 milhões de árvores, gerar 70 mil empregos e capturar 54 milhões de toneladas de carbono. O projecto, citado pela TV Brics, contempla a criação de mais de 800 empregos directos em viveiros, recolha de sementes e trabalhos de manutenção florestal, contribuindo assim para reforçar a resiliência climática e proteger os habitats naturais. Como exemplo de avanço ecológico, a reprodução da arara vermelha foi registrada na Mata Atlântica pela primeira vez em quase 200 anos. As autoridades ambientais destacam que o regresso desta espécie, fundamental para a dispersão de sementes e regeneração florestal, reflete uma tendência positiva na restauração do ecossistema e no fortalecimento da biodiversidade.

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