Acadêmicos da Universidade dos Andes afirmam que outros atores oferecem maiores incentivos para que os membros da comunidade apoiem o corte de árvores
Algumas organizações internacionais procuram conter o desmatamento na Amazônia através de um sistema de incentivos econômicos voltado para agricultores e povos indígenas que cooperam com a conservação dos ecossistemas. Esse mecanismo é conhecido como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). O plano está em andamento e conta com a supervisão de diversas entidades nacionais e acadêmicas como a Universidade de los Andes, que divulgou um relatório sobre o andamento do programa que já beneficiou 2.573 famílias na região amazônica. A estratégia, apoiada pelo programa estatal Visão Amazônia e financiada principalmente pela cooperação internacional, propõe uma compensação direta do PSA que varia entre 600.000 e 1.200.000 pesos colombianos anualmente para cada hectare protegido. Os acordos poderão durar até três anos. Estes números, confirmados por académicos da instituição universitária, permitem às comunidades priorizar sistemas produtivos alternativos como a agrossilvicultura, o cultivo do cacau ou o turismo de natureza. O documento destaca que a maior parte dos fundos provém de esquemas internacionais como o mecanismo da ONU Redd+ (Redução de Emissões por Desflorestação e Degradação Florestal) - que paga pela redução verificada das emissões de carbono - e, em menor medida, de recursos nacionais. Apesar disso, a sustentabilidade do PES depende da criação de fundos próprios e de mercados de carbono mais sólidos. Alguns acordos do sistema Redd+ chegam a 10 ou 12 dólares por tonelada de CO2 evitada, com contratos de até dez anos, segundo o relatório. As deficiências do programa: os incentivos ao desmatamento são mais fortesNo entanto, o relatório, publicado na Nota Macro de fevereiro de 2026, que faz parte do Centro de Estudos de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Economia dos Andes, indica que a recuperação do desmatamento registrada em 2024 expõe a vulnerabilidade das conquistas. Embora tenha sido relatada uma queda significativa na exploração madeireira na Amazônia em 2025, a permanência de incentivos mais lucrativos para desmatar – como a mineração de ouro ou culturas ilegais – mantém o desafio atual. Os pagamentos por Serviços Ambientais provaram ser eficazes para superá-lo, mas a Colômbia não os desenvolveu de forma eficaz devido a barreiras institucionais, legais, financeiras e sociais que mantêm incentivos ao desmatamento superiores aos da conservação. Uma combinação de instrumentos de “comando e controlo”, formalização da propriedade rural, financiamento verde e governação participativa, liderada a partir dos territórios e apoiada pela cooperação internacional, permitiria transformar adequadamente o quadro de incentivos, afirma. Na análise, especialistas da universidade descreveram outros quatro principais obstáculos que limitam a expansão do modelo: informalidade na posse da terra, falta de coordenação institucional, desafios sociais relacionados à consulta prévia e transparência e dependência de financiamento externo. Na verdade, apenas 63% dos recursos atribuídos entre 2019 e 2021 conseguiram ser executados na região. Os acadêmicos também apontaram que a legitimidade do sistema Redd+ tem sido questionada por conflitos sociais, atrasos na execução de contratos e dúvidas sobre a distribuição de benefícios, especialmente em territórios indígenas. Mas também afirmaram que se estas iniciativas permitem o fortalecimento da abordagem estatal, o respeito pelos direitos colectivos e a supervisão independente são essenciais para a sua continuidade. Entre as recomendações, os autores sugeriram avançar na formalização da posse da terra, melhorar a interoperabilidade dos registos públicos, garantir a transparência na consulta e negociação e desenvolver instrumentos financeiros inovadores, como créditos verdes e seguros climáticos. Da Universidade de los Andes enfatizaram que a consolidação do PES requer ajustes legais, institucionais e financeiros para se tornar uma política pública sustentável. O futuro da floresta amazónica colombiana depende, em parte, da capacidade estatal e social para manter estes incentivos face às pressões económicas que promovem a desflorestação.









