A era das condições meteorológicas extremas | A América Latina vivencia ondas de calor crescentes, secas e inundações recordes em 2025

A era das condições meteorológicas extremas | A América Latina vivencia ondas de calor crescentes, secas e inundações recordes em 2025

2026-06-17
Em 2025, a América Latina e o Caribe viveram um dos anos mais quentes já registrados, marcado por ondas de calor extremas, secas persistentes, inundações devastadoras e ciclones tropicais mais intensos, de acordo com o relatório sobre o Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
A organização alerta que a região enfrenta uma intensificação dos riscos climáticos enquanto aumentam os impactos na saúde, na segurança alimentar, nos recursos hídricos e nas infraestruturas. O relatório indica que 2025 foi entre o quinto e o oitavo ano mais quente já registado na América Latina e nas Caraíbas, com uma temperatura média regional cerca de 0,40 ºC superior à média do período 1991-2020. A OMM destaca que o aquecimento foi especialmente intenso no México, na América Central e no Caribe, onde foram registradas anomalias térmicas entre 1 ºC e 3 ºC acima do normal. Entre os episódios mais extremos está o recorde absoluto de 52,7 ºC alcançado em Mexicali (México) no dia 12 de agosto, a temperatura mais alta registrada no país. Temperaturas acima de 40 ºC e 45 ºC também foram relatadas em diferentes partes da Mesoamérica. No Brasil, o calor extremo durou grande parte do ano. A cidade de São Paulo atingiu 37,2 ºC em dezembro, o maior valor em mais de seis décadas de observações. O relatório destaca ainda que as tendências de aquecimento entre 1991 e 2025 foram as mais intensas observadas desde o início do século XX, com o México a registar a maior taxa de aumento térmico, perto de 0,34 ºC por década. Secas e inundações extremas A região também sofreu uma forte intensificação dos extremos hidrológicos. Segundo a OMM, até 85% do território mexicano foi afectado pela seca, enquanto as Caraíbas registaram graves problemas de abastecimento de água e grandes áreas da América do Sul registaram défices de precipitação superiores a 40%. Em Cuba, a escassez de água forçou a imposição de medidas de racionamento em várias províncias, afectando tanto a agricultura como o abastecimento energético. A bacia Amazônica também registrou condições excepcionalmente secas em grandes áreas do Brasil, Bolívia e Peru, agravando o risco de incêndios florestais e reduzindo o fluxo. de grandes rios. Ao mesmo tempo, muitas regiões sofreram com chuvas torrenciais e inundações destrutivas. No Peru e no Equador, as chuvas persistentes em Março afectaram mais de 110.000 pessoas, causando deslizamentos de terras, danos massivos em casas e graves danos agrícolas. A OMM destaca ainda que junho de 2025 foi o mês mais chuvoso já registrado no México, com precipitações 55,8% superiores à média climática. Na Venezuela, chuvas extremas causaram transbordamentos de rios e movimentos de terras que causaram dezenas de mortes e perdas económicas de milhões de dólares. Oceanos e glaciares em recuo O relatório alerta também para uma rápida deterioração dos ecossistemas oceânicos e montanhosos. A subida do nível do mar em partes das Caraíbas e na costa atlântica norte da América do Sul excede a média global, com taxas de aumento de até 5,8 milímetros por ano em algumas áreas. A OMM alerta que o aquecimento e a acidificação dos oceanos continuam a piorar. O pH da superfície dos oceanos continuou a diminuir em 2025 a uma taxa média de 0,016 unidades por década, afectando especialmente os recifes de coral e os ecossistemas marinhos sensíveis. Além disso, o Mar das Caraíbas e o Golfo do México registaram temperaturas oceânicas sem precedentes, acompanhadas por ondas de calor marinhas extremas. Nos Andes, as geleiras continuam a perder massa em alta velocidade. O documento recorda que estas massas de gelo constituem uma fonte essencial de água para cerca de 90 milhões de pessoas. Segundo a OMM, durante a última década a perda glacial acelerou tanto nos Andes tropicais como na Patagónia, comprometendo a futura segurança hídrica de numerosas comunidades andinas. Furacões mais destrutivos A organização meteorológica também se concentra no aumento da intensidade dos ciclones tropicais. O furacão Melissa se tornou o primeiro furacão de categoria 5 já registrado a atingir a Jamaica, com ventos de até 298 quilômetros por hora. O ciclone deixou 45 vítimas mortais e perdas económicas estimadas em 8,8 mil milhões de dólares, o equivalente a mais de 41% do PIB da Jamaica. A OMM destaca que a Jamaica conseguiu reduzir parcialmente os danos graças a sistemas de modelização de riscos, mecanismos financeiros antecipatórios e sistemas de alerta precoce. Paralelamente, o relatório alerta que a rápida intensificação dos furacões no Atlântico Norte é cada vez mais frequente, dificultando as tarefas de preparação e evacuação. Impactos na saúde e na alimentação A OMM destaca que os acontecimentos extremos de 2025 tiveram consequências crescentes na saúde pública e na segurança alimentar regional. A organização estima que na América Latina poderá haver cerca de 13.000 mortes atribuíveis ao calor todos os anos, embora reconheça que existe uma subnotificação significativa. No domínio agrícola, o relatório documenta perdas massivas de colheitas e danos nas explorações rurais após inundações, secas e furacões. No Haiti, mais de 33 mil hectares de culturas foram inundados, enquanto a Jamaica registou graves danos em mais de 149 mil hectares agrícolas produtivos. A OMM conclui que a América Latina e as Caraíbas enfrentam uma exposição crescente a impactos climáticos simultâneos e cada vez mais complexos, o que exige o reforço da adaptação, dos sistemas de alerta precoce e da cooperação entre os serviços meteorológicos, as autoridades de saúde e os responsáveis ??pela gestão de riscos.

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