A industrialização começa a mudar a forma como os edifícios são construídos e o ICM promove obras com madeira
Durante décadas, a imagem de uma obra permaneceu praticamente intacta: materiais que chegam ao local, trabalhadores que realizam cada etapa no local, imprevistos que alteram prazos e processos que dependem, em grande medida, das condições do local. No entanto, uma transformação está modificando esta lógica em diferentes mercados ao redor do mundo: cada vez mais componentes de construção podem ser projetados, fabricados e preparados antes de chegarem ao canteiro de obras.
Essa mudança é conhecida como industrialização da construção e propõe a aplicação de processos de planejamento, fabricação e controle de qualidade ao setor que já fazem parte de outras indústrias. Não se trata apenas de construir mais rápido, mas de organizar todo o processo construtivo de uma forma diferente, desde o projeto inicial até à montagem final, salientam numa reportagem de imprensa do Instituto da Construção em Madeira (ICM). Neste cenário, a madeira oferece possibilidades particularmente interessantes. Sistemas de molduras leves, painéis estruturais e produtos de madeira projetada permitem avançar em direção a soluções nas quais parte importante dos componentes é produzida com dimensões e especificações previamente definidas. O Instituto de Construção em Madeira (ICM), promovido pela Federação Argentina das Indústrias Madeireiras e Afins (FAIMA), busca destacar a importância de aproximar essas tecnologias e suas possibilidades de arquitetos, engenheiros, incorporadores, construtoras e profissionais ligados ao projeto e execução de edifícios. O ICM promove o conhecimento, desenvolvimento e aplicação de sistemas construtivos com madeira, fortalecendo o vínculo entre a indústria, os profissionais e o setor da construção. Da construção tradicional à fabricação planejada Na construção convencional, inúmeras tarefas são resolvidas diretamente no terreno. A industrialização procura antecipar parte destas decisões através de projetos mais detalhados, coordenação entre especialidades e fabricação de componentes em condições controladas. No caso da madeira, isto pode traduzir-se em estruturas de armação, painéis de fechamento, elementos portantes ou módulos que chegam ao local preparados para instalação. A diferença não é apenas operacional. Quando as peças são produzidas a partir de um projeto coordenado, é possível melhorar a previsibilidade das tarefas, reduzir ajustes durante a montagem e organizar o uso dos materiais com maior precisão. O canteiro de obras deixa de ser o local onde tudo começa a ser resolvido e passa a ser, em parte, o espaço onde se reúnem as decisões tomadas anteriormente. Isto não significa que os empregos no terreno desapareçam nem que todos os projectos possam ser industrializados da mesma forma. A escolha do sistema depende da escala, do desenho, dos requisitos estruturais, das condições do local e da capacidade técnica dos envolvidos, salienta a FAIMA. A madeira não é mais um sistema construtivo único. Quando se fala em construção com madeira, há diversas tecnologias a serem citadas: O Wood Frame, por exemplo, utiliza uma estrutura de peças estruturais de madeira para formar paredes, mezaninos e telhados. Seu design permite a incorporação de diferentes camadas e materiais de isolamento e acabamento de acordo com a necessidade de cada projeto. Os painéis SIP normalmente combinam duas faces estruturais com um núcleo isolante e podem ser utilizados em determinadas soluções de fechamento e construção, sempre de acordo com o projeto e as especificações técnicas correspondentes. Em outra escala aparecem produtos de madeira engenheirada, como a madeira laminada cruzada (CLT) e a madeira laminada colada (GLT ou lamelada), que permitem o desenvolvimento de painéis, vigas e pilares destinados a diversas aplicações estruturais. Cada sistema apresenta características, requisitos e possibilidades particulares. Portanto, um dos desafios é superar a ideia de que construir com madeira equivale exclusivamente a construir uma pequena casa ou uma cabana. Hoje, as tecnologias disponíveis permitem também pensar em edifícios, ampliações, equipamentos, espaços comerciais e infraestruturas mais complexos, desde que haja um projeto estrutural adequado e sejam cumpridas as normas aplicáveis, indicadas na reportagem da FAIMA. Menos improvisação, mais integração entre os profissionais. A industrialização exige mais do que incorporar máquinas ou fabricar painéis. Requer uma relação mais próxima entre arquitetura, engenharia, fornecedores, fabricantes e equipes de montagem. As decisões sobre dimensões, juntas, instalações e sequência de construção devem ser coordenadas desde as fases iniciais. Ferramentas digitais de modelagem e planejamento, juntamente com tecnologias de corte e fabricação auxiliada por computador, podem contribuir para essa integração. Neste contexto, o conhecimento técnico torna-se tão importante quanto o material escolhido. Uma solução industrializada necessita de profissionais capacitados, componentes adequados, controles de qualidade e uma execução que respeite o projeto. A construção em madeira não elimina os requisitos de segurança estrutural, proteção contra incêndios, controlo de humidade, comportamento acústico ou eficiência energética. Pelo contrário, obriga-os a serem resolvidos através de critérios de concepção, especificações e verificações adequadas. O desafio de mudar a cultura de construir com madeira Na Argentina, a expansão dos sistemas construtivos com madeira enfrenta desafios que ultrapassam a disponibilidade do material. A formação de profissionais, a disseminação do conhecimento técnico, a articulação entre fornecedores e projetistas, a familiaridade com os sistemas e a incorporação de soluções industrializadas são fatores necessários para ampliar suas aplicações. É também fundamental comunicar que industrializar não significa produzir edifícios idênticos. A fabricação planejada pode coexistir com diferentes propostas arquitetônicas, escalas e necessidades de projeto. O ICM promove uma visão que integra tecnologia, formação, qualidade e novas oportunidades para a construção com madeira, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de um setor mais preparado para responder às exigências atuais. Porque a transformação não consiste apenas na substituição de um material por outro. Consiste em repensar como é projetado, como é fabricado e como é construído, resumido pela FAIMA.
